• Jesus histórico? Existem evidências de Jesus além das páginas do Novo Testamento?
  • Pr. Milton Santiago
  • 07.01.2008 às 18:54
  • Para quem gosta de pesquisa histórica  segue abaixo informações sobre Jesus de Nazaré, além das que encontramos nas páginas do Novo Testamento. Mas é importante salientar que é difícil ter dúvidas sobre a autenticidade dos evangelhos como documentos históricos.

    O cientista Francis S. Collins em seu Best-Seller A Linguagem de Deus p.227,228- Editora Gente 2007,  trás as seguintes observações sobre porque confiar na autenticidade dos evangelhos:


    “Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João foram redigidos umas poucas décadas após a morte de Jesus Cristo. Seus estilos e conteúdos sugerem, enfaticamente, que pretendiam ser um registro de testemunhas oculares. Considerações acerca de erros que vêm se arrastando por cópias sucessivas ou traduções malfeitas tem sido, em sua maioria, posta de lado pela descoberta de manuscritos bastantes antigos. Assim, a evidência de autenticidade dos quatro evangelhos revelam bastante forte. Além disso, historiadores não cristão do século I, como Josefo, referem-se a um profeta judeu que foi crucificado por Pôncio Pilatos por volta do ano 33. Muitos outros exemplos de evidências da natureza histórica da existência de Cristo foram reunidos em livros excelentes. Que podem ser consultados pelos leitores interessados.”

    O estudioso mais dedicado poderá encontrar farto material e Fontes documentais do Novo testamento como os  manuscritos gregos


    “São aproximadamente 5500, classificados de acordo com o material e o estilo da escrita: papiros, unciais e minúsculos,
     Papiros


    São conhecidos 96 papiros, escritos em uncial até o século IV. A maioria são fragmentos de códices. São os manuscritos mais antigos conhecidos do Novo Testamento.
     Unciais


    São os manuscritos feitos em pergaminho quando o papiro caiu em desuso, no século IV, e utilizados até o século XI, ou seja, durante sete séculos. A escrita manteve o mesmo padrão dos papiros, somente um pouco maiores.
     Minúsculos


    São manuscritos que carecem de valor crítico; são importantes apenas como testemunhas da história medieval do texto do Novo Testamento. Foram documentos preparados em escrita minúscula, entre os séculos IX e XVI, quando começam a surgir textos gregos impressos.”  (A História Manuscrita do Novo Testamento - Nataniel dos Santos Gomes (UNESA)


    Sabemos ainda que:
    Os Escritos de Marcos datam de 50 a 70 d.C.;
    Vários papiros contendo fragmentos do Evangelho de João foram encontrados no Egito, datando do século II, apenas uma geração após os autógrafos;
    Os manuscritos  foram redigidos num momento muito próximo aos acontecimentos que os geraram;
    O estilo dos escritos confere com aqueles utilizados no século I (grego coiné);
    Inscrições e gravações em paredes, pilares, moedas e outros lugares são testemunhos do Novo Testamento;
    Os livros apócrifos,  que atualmente estão sendo bastante citados e estudados, apesar de não canônicos, apresentam dependência literária dos textos canônicos, chegando a imitá-los no conteúdo e forma literária, e citam vários livros que compõem o Novo Testamento.

    Cristo realmente existiu como personagem histórico?

    Algumas pessoas afirmam que Jesus Cristo nunca existiu. Alegam que a vida de Jesus e os evangelhos são mitos criados pela igreja católica. Essa lamentável afirmação se baseia, principalmente, na infundada crença de que não existem registros históricos de Jesus.

    O Fato de não terem muitos registros seculares (isto é, não ligados à esfera religiosa) não deve surpreender  os pesquisadores e  cristãos de hoje. Primeiro, porque apenas uma pequena fração dos registros escritos sobreviveram ao tempo (nada, nada, são 20 séculos!). Segundo, porque existiam poucos - se é que de fato realmente existiam - "jornalistas" na Palestina do tempo de Jesus. Terceiro, porque os romanos viam o povo judeu como apenas mais um dos grupos étnicas que precisavam tolerar; os romanos tinham pouquíssima consideração para com o povo judeu. Finalmente, porque os líderes judeus também anseiavam esquecer Jesus. Assim, os escritores seculares somente começaram a se referir sobre o Cristianismo quando este movimento religioso tornou-se popular e começou a incomodar o estilo de vida que tinham.

    Ainda que os testemunhos seculares sobre Jesus sejam raros, existem alguns poucos, mas de suficiente valor e credibilidade histórica, que sobreviveram ao tempo e faz referências a Ele. Não é de se surpreender que os registros não cristãos mais antigos tenham sido feitos por judeus. Flávio Josefo, que viveu até 98 dC, era um historiador judeu romanizado. Ele escreveu livros sobre a História dos Judeus para o povo romano. Em seu livro, "Antiguidades Judaicas", ele faz algumas referências a Jesus. Em uma delas, ele escreve:
    "Por esse tempo apareceu Jesus, um homem sábio, que praticou boas obras e cujas virtudes eram reconhecidas. Muitos judeus e pessoas de outras nações tornaram-se seus discípulos. Pilatos o condenou a ser crucificado e morto. Porém, aqueles que se tornaram seus discípulos pregaram sua doutrina. Eles afirmam que Jesus apareceu a eles três dias após a sua crucificação e que está vivo. Talvez ele fosse o Messias previsto pelos maravilhosos prognósticos dos profetas" (Josefo, "Antiguidades Judaicas" XVIII,3,2).

    Muito embora diversas formas deste texto em particular tenham sobrevivido nestes vinte séculos, todas elas concordam com a versão citada acima. Tal versão é considerada a mais próxima do original - reduzindo as suspeitas de adulteração do texto por mãos cristãs. Em outros lugares de sua obra, Josefo também registra a execução de João Batista (XVIII,5,2) e o martírio de Tiago o Justo (XX,9,1), referindo-se a este como "o irmão de Jesus que era chamado Cristo". Deve-se notar que o emprego do verbo "ser" no passado, na expressão "Jesus que ERA chamado Cristo" testemunha contra uma possível adulteração cristã já que um cristão certamente escreveria "Jesus que É chamado Cristo".


    Uma outra fonte judaica, o Talmude, faz algumas referência históricas a Jesus. De acordo com o Dicionário da American Heritage, o Talmude é "a coleção de antigos escritos rabínicos que consiste da Mishná e da Gemara, e que constitui a base da autoridade religiosa para o Judaísmo tradicional". Ainda que não faça referência explícita ao nome de Jesus, os rabinos identificam a pessoa em questão com Jesus. Essas referências a Jesus não são simpáticas nem a Ele nem à sua Igreja. Esses escritos também foram preservados através dos séculos pelos judeus, de maneira que os cristão não podem ser acusados de terem adulterado o texto.


    O Talmude registra os milagres de Jesus; não é feita nenhuma tentativa de negá-los, mas relaciona-os como frutos de artes mágicas do Egito. Também sua crucificação é datada como tendo "ocorrido na véspera da Festa da Páscoa", em concordância com os evangelhos (Luc 22,1ss; Jo 19,31ss). Também de forma semelhante ao evangelho (Mat 27,51), o Talmude registra a ocorrência do terremoto e o véu do templo que se dividiu em dois durante a morte de Jesus. Josefo, em sua obra "A Guerra Judaica" também confirma esses eventos.
     

    No início do séc. II, os romanos começaram a escrever sobre os cristãos e Jesus. Plínio o Moço, procônsul na Ásia Menor, em 111 dC escreveu em uma carta dirigida ao imperador Trajano:
    "...[os cristãos] têm como hábito reunir-se em uma dia fixo, antes do nascer do sol, e dirigir palavras a Cristo como se este fosse um deus; eles mesmos fazem um juramento, de não cometer qualquer crime, nem cometer roubo ou saque, ou adultério, nem quebrar sua palavra, e nem negar um depósito quando exigido. Após fazerem isto, despedem-se e se encontram novamente para a refeição..." (Plínio, Epístola 97).
    Uma atenção especial deve ser dada à frase "a Cristo como se este fosse um deus"; trata-se de um testemunho secular primitivo atestando a crença na divindade de Cristo (Jo 20,28; Fil 2,6). Também é interessante comparar esta passagem com At 20,7-11, que é uma narração bíblica sobre a primitiva celebração cristã do domingo.


    Um outro historiador romano, Tácito, respeitado pelos modernos pesquisadores por causa de sua precisão histórica, escreveu em 115 dC sobre Cristo e sua Igreja:
    "O fundador da seita foi Crestus, executado no tempo de Tibério pelo procurador Pôncio Pilatos. Essa superstição perniciosa, controlada por certo tempo, brotou novamente, não apenas em toda a Judéia... mas também em toda a cidade de Roma..." (Tácito, "Anais" XV,44).
    Mesmo desprezando a fé cristã, Tácito tratou a execução de Cristo como fato histórico, fazendo relação com eventos e líderes romanos (cf. Luc 3,1ss).
     

    Outros testemunhos seculares ao Jesus histórico incluem Suetônio em sua "Biografia de Cláudio", Phlegan (que registrou o eclipse do sol durante a morte de Jesus) e até mesmo Celso, um filósofo pagão. Precisamos manter em mente que a maioria dessas fontes não eram apenas seculares mas também anti-cristãs. Esses autores seculares, inclusive os escritores judeus, não desejavam ou intencionavam promover o Cristianismo. Eles não tinham motivação alguma para distorcer seus registros em favor do Cristianismo. Plínio realmente punia os cristãos pela sua fé. Se Jesus fosse um simples mito ou sua execução uma mentira, Tácito teria relatado tal fato; certamente, ele não teria ligado a execução de Jesus com líderes romanos. Esses escritos, portanto, apresentam Jesus como um personagem real e histórico. Negar a confiabilidade dessas fontes que citam Jesus seria negar todo o resto da história antiga.
     
    Não é intenção deste artigo provar que esses antigos escritos seculares testemunham que Jesus seja o Filho de Deus ou o Cristo. Porém, esses registros mostram que um homem virtuoso chamado Jesus viveu nesta Terra no início do séc. I dC e fundou um movimento religioso que perdura até os nossos dias. Esse Homem foi chamado de Cristo - o Messias. Os cristãos do primeiro século também O consideravam como Deus. Por fim, esses escritos suportam outros fatos encontrados na Bíblia a respeito da vida de Jesus. Logo, afirmar que Jesus nunca existiu e que sua vida é um mero mito compromete a confiabilidade de toda a história antiga.


    A historicidade de Jesus


    Lá pelo século XIX, alguns críticos como Bruno Bauer chegou a incrível conclusão de que Jesus nunca existiu.
     
    Hoje, talvez, nem mesmo os críticos mais ferozes como o "The Jesus Seminar", ousam negar a existência histórica de Jesus Cristo, haja vista os muitos documentos a respeito de sua pessoa. Negar a passagem de Jesus pela terra seria hoje como assinar um atestado de obtusidade histórica ou se declarar descontextualizado com as novas descobertas.
    Apesar da abundancia de provas que temos sobre Ele, muitos estudiosos amadores levados pelo preconceito e pouca seriedade científica, especulam dizendo que não existem comprovações concretas da existência de Jesus fora dos evangelhos. Quando não, saem com o disparate de que só existem duas menções ao nome de Jesus fora dos livros religiosos (N.T e os escritos cristãos dos pais da igreja), os quais se limitariam a Flávio Josefo e Plínio. Isto mostra o tom preconceituoso e parcial com que tais estudiosos tratam os documentos cristãos históricos. Só porque a maioria dos testemunhos históricos sobre a existência de Jesus são de cunho religioso já são postos sob suspeita, tipo "culpado até que se prove o contrario".
     
    É claro que para quem conhece um pouco de história isso não passa de uma falácia.
    Fora os próprios Evangelhos e os escritos dos Pais da Igreja, temos ainda muitos outros do primeiro e do segundo século que mencionam Jesus Cristo. Podemos dividi-lo em dois grupos: os documentos provindos de fontes judias e o de fontes pagãs. Ei-los em ordem:

    Fontes judaicas:

    Flávio Josefo

    Josefo foi contemporâneo de Cristo viveu até 98 d.C. É considerado um dos melhores historiadores antigo. Suas obras sobre o povo judeu é uma preciosidade histórica da vida helênica no primeiro século. Em seu livro, "Antiguidades Judaicas", ele faz algumas referências a Jesus. Em uma delas, ele escreve:

    "Por esse tempo apareceu Jesus, um homem sábio, que praticou boas obras e cujas virtudes eram reconhecidas. Muitos judeus e pessoas de outras nações tornaram-se seus discípulos. Pilatos o condenou a ser crucificado e morto. Porém, aqueles que se tornaram seus discípulos pregaram sua doutrina. Eles afirmam que Jesus apareceu a eles três dias após a sua crucificação e que está vivo. Talvez ele fosse o Messias previsto pelos maravilhosos prognósticos dos profetas" (Josefo, "Antiguidades Judaicas" XVIII,3,2).
    O texto acima é uma versão árabe, e talvez é a que mais chegue perto do original. Muitos colocam em dúvida este texto dizendo ser interpolação de um escritor cristão. Alegam que Josefo, na qualidade de judeu, nunca iria se reportar a Jesus desta maneira. Mas parece que não há motivos fortes para isso. A verdade é que cada vez mais eruditos hoje em dia estão inclinados a aceitar esta versão do texto como fidedigno, embora admitam pequenas interpolações em algumas partes como a referência sobre a ressurreição, e a declaração do messianismo.

    Talmude:

    A Encyclopaedia Britannica mencionando os talmudes judaicos como fontes históricas sobre Jesus, finaliza o assunto da seguinte maneira:

    "A tradição judaica recolhe também notícias acerca de Jesus. Assim, no Talmude de Jerusalém e no da Babilônia incluem-se dados que, evidentemente, contradizem a visão cristã, mas que confirmam a existência histórica de Jesus de Nazaré."
    A "contradição" mencionada pela enciclopédia é o fato dos judeus acusarem Jesus de magia.
    "Na véspera da Páscoa eles penduraram Yeshu [...] ia ser apedrejado por prática de magia e por enganar Israel e fazê-lo se desviar [...] e eles o penduraram na véspera da Páscoa." (Talmude Babilônico, Sanhedrim 43a)
     
    Estes relatos da crucificação estão de pleno acordo com os evangelhos (cf. Lucas 22,1; João 19,31).

    Fontes Pagãs:

    Plínio

    No século II, quando o cristianismo começou a atravessar as fronteiras do Império, os cristãos começaram a chamar mais a atenção dos pagãos. A difusão do cristianismo foi tão profusa que chegou a ser tema de uma correspondência política entre Plínio, o Jovem, procônsul na Ásia Menor, em 111 d.C. e Trajano. A carta dirigida ao imperador Trajano trata das torturas que os cristãos são submetidos pelos pretensos crimes. Entre eles está o seguinte:
    "...[os cristãos] têm como hábito reunir-se em uma dia fixo, antes do nascer do sol, e dirigir palavras a Cristo como se este fosse um deus; eles mesmos fazem um juramento, de não cometer qualquer crime, nem cometer roubo ou saque, ou adultério, nem quebrar sua palavra, e nem negar um depósito quando exigido. Após fazerem isto, despedem-se e se encontram novamente para a refeição..." (Plínio, Epístola 97).
    É interessante ressaltar alguns detalhes nesta carta. Plínio relata fatos históricos importantíssimos tais como a igreja em expansão, e a adoração ao seu fundador - Cristo - "como se fosse um deus" (Christo quase deo). Veja que ele não procura negar a existência histórica de Jesus.

    Tácito

    Cornélio Tácito (55-117), um dos mais famosos historiadores romanos, governador da Ásia em 112 A.D.,genro de Júlio Agrícola que foi governador da Grã-Bretanha, escreveu o seguinte sobre Cristo:

    "O fundador da seita foi Crestus, executado no tempo de Tibério pelo procurador Pôncio Pilatos. Essa superstição perniciosa, controlada por certo tempo, brotou novamente, não apenas em toda a Judéia... mas também em toda a cidade de Roma..." (Tácito, "Anais" XV,44).
     
    O contexto desta carta trata sobre o incêndio criminoso de Roma. Nero mandara incendiar Roma e usou os cristãos como bode expiatório. Tácito apesar de não ser simpatizante do cristianismo, confirma, entretanto, fatos históricos importantíssimos tais como: um personagem histórico chamado "Crestos" (Cristo), sua igreja, sua morte e a expansão do cristianismo no primeiro século. Ele tão somente confirma o que já sabíamos através dos relatos evangélicos. (Lucas 3,1).

    Outros testemunhos seculares ao Jesus histórico incluem:

    Talo (52 d.C),o historiador samaritano é um dos primeiros escritores gentios a mencionar Cristo indiretamente. Tentando dar uma explicação natural para as trevas que ocorreram na crucificação de Jesus, diz:
     
    "O mundo inteiro foi atingido por uma profunda treva; as pedras foram rasgadas por um terremoto, muitos lugares na Judéia e outros distritos foram afetados. Esta escuridão Talos, no terceiro livro de sua História, chama, como me parece sem razão, um eclipse do Sol."
    Tanto os escritos de Talo, como de Flêgão, não existem mais, alguns fragmentos foram preservados nos escritos de Júlio Africano (220 d.C)
     
    Mara Bar-Serapião - 73 d.C (?), um sírio escrevendo ao seu filho Serapião sobre a busca da sabedoria, menciona a Cristo como sábio, embora não o mencione pelo nome, mas apenas como "rei dos judeus". Diz ele:

    "Que vantagem tem os judeus executando seu sábio rei?...O rei sábio não morreu; ele vive nos ensinos que deu."
    Tertuliano, jurista e teólogo em sua defesa do Cristianismo menciona uma correspondência entre Tibério e Pôncio Pilatos sobre Jesus (Apologia,2).
     
    Justino, o Mártir, filósofo cristão ao escrever ao imperador Antonino Pio desafia o imperador a consultar os arquivos imperiais deixados por Pilatos sobre a morte de Jesus Cristo (Apologia 1.48).
     
    Celso, o filósofo neoplatônico e inimigo ferrenho do cristianismo também menciona Cristo em seus escritos.


    No entanto, queremos deixar claro que estas citações não têm a pretensão de provar a identidade de Cristo, se Ele era o Filho de Deus ou não. Elas apenas mostram que os anais da história preservou através de documentos de pessoas não cristãs, a história de um homem que viveu no I século, identificado com o Jesus bíblico. A primeira vista, talvez pareça pouca a quantidade de informações que temos sobre Jesus, mas se confrontarmos Jesus Cristo com as inúmeras figuras indefinidas da história antiga, é surpreendente a quantidade de informações que ainda temos sobre Ele. Se porventura fossemos reconstituir a vida de Jesus a partir destes pequenos relatos, teríamos o suficiente para saber quem foi Jesus. Ora, eles nos dão a informação básica sobre ele: um homem que viveu no I século, chamado Cristo, Filho de uma mulher judia, operador de milagres que reuniu em torno de si vários seguidores que o adoravam como Deus. Este homem foi crucificado sob o governo de Pôncio Pilatos. É claro que muitas partes dentro dessas passagens como, por exemplo, em Josefo e Tibério, são até admissíveis de interpolações. Mas o caráter anticristão de seus autores é uma prova incontestável de sua veracidade. Plínio, Tibério e muito menos Luciano de Samosata não poderiam jamais ser acusados de falsidade. Portanto, negar a confiabilidade de todas essas fontes que citam Jesus na base de algumas insignificantes interpolações seria menosprezar de resto toda a história antiga.

    Boa parte desta bibliografia clássica da antiguidade,  está disponível em português, pode ser encontrada na internet e em boas bibliotecas nacionais.


    Sobre o valor dos evangelhos como documento histórico segue contribuição do Prof. João Flávio Martinez.

    “Merece confiança o Novo Testamento ?
       
        Já ficou sobejamente demonstrada a genuinidade dos evangelhos. Agora se nos apresenta outra questão: o texto que possuímos hoje é realmente aquele que saiu da pena dos evangelistas e apóstolos ou foi alterado no decorrer dos séculos? Houve interpolações, omissões ou corrupções no texto? Um documento pode ter sido genuíno, mas de nada adianta se as cópias que possuímos não refletem a mesma fidelidade no conteúdo como foi escrito. A acusação que alguns críticos geralmente fazem é que nossas cópias são corrompidas. Entretanto, o N.T é sem dúvida o documento mais bem atestado da antiguidade. Existem mais cópias do Novo Testamento do que de qualquer outro documento antigo. São mais de cinco mil manuscritos em grego e versões antigas em siríaco e outras línguas. Entre a redação de Sófocles, Ésquilo, Aristófanes e Tucídides e o primeiro códice que possuímos destes escritos, há um intervalo de 1400 anos; 1600 para Eurípedes e Catulo [...] 1.200 para Demóstenes; e 700 para Terêncio. As cópias mais antigas existentes hoje do N.T são dos séculos 2º e 3º d.C.
    Todos esses achados tornam o N.T. o texto antigo mais bem documentado e atestado, quando comparado com outros escritos da antiguidade clássica.
    Podemos confiar no Novo Testamento como um documento histórico?

    Vê-se facilmente que se alguém rejeitar a autenticidade histórica do N.T, então deverá, por coerência, rejeitar a autenticidade histórica de todos os demais escritos antigos, pois o N.T. é, de longe, o mais bem atestado, tanto pelo número de cópias existentes como pela proximidade em anos da cópia mais antiga em relação ao original. Nenhum outro escrito sequer chega perto do N.T. nesses critérios.

    As Variantes

    Este é outro ponto ressaltado para diminuir a confiabilidade dos evangelhos. É que nos evangelhos existe um grande número de variantes. Será que com todas estas variantes não ficaria prejudicada a crença de que nossos textos modernos refletem o mesmo texto do original? Por terem sido produzidos em diferentes áreas e sob diferentes circunstancias, e devido aos erros de ortografia dos copistas, alguns manuscritos contêm diferenças entre si o que chamamos de variantes textuais. Bruce Metzger, uma das maiores autoridades em grego neotestamentário da atualidade, afirma que as diferenças não afetam substancialmente nenhuma doutrina cristã. Norman Geisler e Willian Nix acrescentam: "O Novo Testamento, então, não apenas sobreviveu em maior número de manuscritos que qualquer outro livro da antiguidade, mas sobreviveu em forma mais pura que qualquer outro grande livro - uma forma 99,5% pura"

    Grasso cita o parecer de algumas autoridades como Amiot e Hort. Assim se expressou:

    "No conjunto dos manuscritos encontram-se aproximadamente 250.000 variantes incluindo as citações dos padres antes do IV Século e das antigas traduções. A maioria delas é insignificante: referem-se somente à ortografia e à disposição das palavras Segundo Hort, 7/8 do texto estão fora de discussão. As variantes que modificam o texto abrange a milésima parte delê: somente umas 15 variantes têm certa importância; contudo, nenhuma delas toca a substancia do dogma estabelecido pelas passagens criticamente certas, sem termos a necessidade de lançar mão de textos duvidosos”
    Prof. João Flávio Martinez  CACP, graduado em história e professor de religiões.
    www.cacp.org.br

    Segue mais alguns títulos sobre a autenticidade dos evangelhos:
    infelizmente a maioria ainda em inglês:”
    STROBEL, L. The case of Christ. Grand Rapids: Zondervan, 1998;
    BLOMBERG,C.L, The historical reliability of the Gospels. Downers Grove: Intervarsity, 1987;
    HABERMAS,G.R, The Historical Jesus: Ancient Evidence for the life of Christ. New York: College Press.1996
    BRUCE, F.F. The New Testament Documents, Are they Reliable? Grand Rapids: Eerdmans PublishingCo. 2003
       
    Organizado por Milton Santiago 
    Pastor e Professor de História.

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