Hinduístas assaltam igrejas cristãs em Orissa; tensão religiosa cresce após assassinato de líder hindu
Reuters
Até agora, o envio de policiais e toques de recolher não conseguiram controlar a violência, que já deixou pelo menos 11 pessoas mortas. Nesta quinta-feira foram criados comitês de paz nos povoados para tentar aproximar os líderes comunitários das negociações, mas em muitas localidades os cristãos alegam que os ataques foram piores do que o governo divulga.
A polícia mobilizou mais de 3 mil agentes nas ruas, mas não conseguiu evitar o assalto de pelo menos uma igreja. No entanto, segundo a mídia local, pelo menos quatro igrejas foram atacadas. "A polícia está atuando em várias zonas", disse o chefe da polícia de Orissa, Gopal Chandra Nanda.
As imagens da televisão local mostravam multidões armadas com paus levantando barricadas nas ruas, enquanto outros atacavam igrejas. Outros grupos armados com arco e flechas atacaram casas de cristãos, deixando de lado mulheres e crianças. "Momentos depois de passarmos por um povoado cristão, eles o incendiaram e tudo acabou em minutos", declarou um oficial de polícia que pediu para não ser identificado.
A Constituição da Índia é laica, mas a maioria da população é hindu. Apenas cerca de 2,5% dos indianos são cristãos, mas na zona de Kandhamal, onde vivem aproximadamente 650 mil pessoas, 20% da população é cristã.
A violência religiosa atinge as regiões tribais de Orissa há anos, com hindus e cristãos lutando por conversões. Grupos hindus acusam sacerdotes cristãos de subornar tribos pobres e hindus de classe baixa para se converterem para sua fé, enquanto os convertidos alegam que queriam mudar de religião para escapar do rígido sistema de castas da Índia.