A angústia de um pai
“Eu nunca impedi elas de fazerem nada para não acharem que eu estava criando obstáculos. Eram amorosas, estudavam e trabalhavam muito. Não acredito ainda que isso aconteceu. Agora, quero saber quem é o responsável pelo acidente. Vou fazer tudo que eu puder para conseguir saber o porquê disso tudo”
Ademir Barbosa de Lira, 53 anos, pai de Liliane, 18 anos, e Juliana, 21
Brasília, segunda-feira, 24 de maio de 2010
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Os riscos do sexo precoce e sem proteção
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Brasília, segunda-feira, 24 de maio de 2010
Mais do que nunca o tema sexo está na mídia no Brasil. Fazer sexo muitas vezes por semana foi destacado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, como preventivo da hipertensão. Não resta dúvida de que a ciência já provou sua eficácia contra o estresse e males cardiovasculares. Mas o Estudo Mosaico Brasil mostra que o brasileiro gosta de sexo, mas se protege pouco: 57% dos homens não usaram preservativos na relação casual e 75% das mulheres na mesma situação.
Os jovens se preocupam mais. Entre os casados, 49.9% dos homens não usam preservativos e 71% das mulheres. Na dúvida da fidelidade do parceiro, não se proteger é um enorme risco. Adultério não é mais crime, mas causa danos e não é um ato moralmente correto. As doenças sexualmente transmissíveis (Aids, HPV, hepatite A e B, sífilis, herpes, gonorreia, condiloma, etc.) são graves e estão aí a desafiar os especialistas na prevenção e tratamento. Qual é o percentual do dinheiro público destinado ao tratamento dessas doenças no Brasil? Com certeza, é bem alto. Ter múltiplos parceiros é fator de risco e usar preservativo não protege 100% segundo pesquisas. Investir mais na educação sexual é preciso.
A situação fica ainda mais grave quando dados mostram que cada vez mais cedo adolescentes iniciam a vida sexual. Dados da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) apontam essa iniciação sexual aos 14 anos para meninos e 15 anos, para meninas. Conteúdos sensuais e eróticos na mídia, especialmente TV e internet, estilos musicais e danças certamente influenciam. Programas e conteúdos generalizados da TV exploram cada vez mais o adultério, a sensualidade e a banalização do sexo. Essa erotização precoce induz à sexualidade e gravidez precoces com todos os riscos sociais e de saúde.
Dados da Fundação Oswaldo Cruz mostram que uma em quatro adolescentes sexualmente ativas está contaminada pelo HPV e 600 mil pessoas estão contaminadas pela Aids no Brasil. Sem contar as que não sabem. A exploração sexual infantil ainda é outra trágica realidade, que precisa ser combatida com eficientes políticas públicas. Uma nova moda juvenil preocupa — o uso das pulseiras do sexo, que já fizeram algumas vítimas. Dependendo da cor, a disposição para práticas que vão de um abraço até o sexo. Qual tem sido a orientação dos pais e educadores sobre esse perigoso modismo e sobre a precoce iniciação sexual?
Outro exemplo da grande erotização no Brasil é o nosso carnaval vendido aqui e no exterior como “cultura brasileira” com grande apelo sexual. Não é sem razão que milhares de estrangeiros vêm anualmente ao Brasil atrás dessa “cultura” desprezível de prostituição infantil ou generalizada. A pedofilia, os estupros e crimes sexuais bárbaros que acontecem cada vez mais no Brasil têm aqui também as suas raízes assim como a violência contra as mulheres. Uma cultura que prioriza o prazer, o corpo, a sensualidade e, muitas vezes, menospreza os princípios éticos e morais. Pessoas e crianças se expõem cada vez mais na internet em sites de relacionamentos, redes de contatos e se aproximam de pessoas, muitas vezes de forma perigosa induzindo a crimes e delitos muitas vezes sexistas.
É muito importante que sexo esteja em discussão pelos seus benefícios, mas também pelos males que pode causar se praticado sem segurança e sem responsabilidade. É preciso que o governo cada vez mais invista em eficientes políticas públicas preventivas nas escolas e na mídia para conter os riscos do sexo sem proteção e do abuso e exploração sexual. Principalmente na adolescência, esses cuidados devem ser reforçados pela implantação de programas de educação sexual em toda a rede escolar discutindo-se os riscos das doenças sexualmente transmissíveis, que podem até matar. Uma educação para sexo com segurança e responsabilidade para homens e mulheres para que somente os benefícios sejam contados.
Vivina do C. Rios Balbino, Psicóloga, mestre em educação, professora universitária e autora de livros